COVID-19 https://www.renatogomesnery.com.br Thu, 07 May 2020 17:54:53 +0000 pt-PT hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.1 https://www.renatogomesnery.com.br/wp-content/uploads/2020/02/cropped-cropped-icon_Prancheta-1-150x150-1-32x32.png COVID-19 https://www.renatogomesnery.com.br 32 32 O CÍRCULO VICIOSO https://www.renatogomesnery.com.br/2020/05/06/o-circulo-vicioso-2/ https://www.renatogomesnery.com.br/2020/05/06/o-circulo-vicioso-2/#respond Thu, 07 May 2020 00:56:00 +0000 https://www.renatogomesnery.com.br/?p=250

A população encontra-se aprisionada há mais de um mês. A prisão não é voluntária e nem compulsiva. É um misto das duas. O certo é que estamos arrestados com a nossa família em nossa casa, assistindo novelas reprisadas e jornais televisivos repetitivos e intermináveis. Não somos reféns de um regime de força, mas democrático, onde, em tese, tudo é feito por convencimento. Convenceram-nos que não devemos sair de casa para não colocar em risco as nossas vidas e as de outras pessoas, pois existe um vírus mortal à solta.

Eu tenho um amigo que é contra a prisão. Ele afirma que a prisão é uma morte em vida. É como se fosse forçado a entrar num esquife vivo, tal é a crueldade dessa punição. E hoje, ela sequer impede que os prisioneiros cometam novos crimes. E no caso aqui relatado, a utilidade do confinamento é evitar o contagio.

Os lugares pequenos e fechados me atordoam, tiram a minha calma e me deixam com uma sensação desconfortável. O desenrolar desta pandemia, com sustos e mais sustos, altos e baixos deixa o meu humor na lona. Descobri ultimamente que este confinamento desperta o meu lado pessimista e sombrio.

O Judiciário já decidiu que cada ente da administração pública tem autonomia para lidar com a pandemia da forma que bem lhe aprouver. Existe um protocolo da ONU de como lidar com a questão. Entretanto, aqui o Presidente da República pensa e age de uma forma, os Governadores de outra e os Prefeitos de uma outra diferente. Durma com este barulho!

O certo é que algumas cabeças coroadas acham que tudo não passa de uma “gripezinha”. Entretanto, os acometidos pela doença e os incontáveis cadáveres mostrados pela televisão diariamente comprovam que a situação é grave, principalmente num país onde a saúde sempre esteve na beira do abismo.

E daí – como afirmou a autoridade máxima do País para se eximir das suas responsabilidades – as minhas apreensões aumentam e me deixam taciturno, aborrecido e macambuzio, quando vejo algumas autoridades afirmando que vão diminuir de forma gradativa o confinamento. Será que este é o momento, ou será que isto não vai servir para aumentar a contaminação e termos, no futuro, uma situação muito mais adversa e voltemos ao único remédio mais eficaz até o momento: o confinamento.

A pandemia prossegue firme e forte. A nossa situação econômica que já era ruim piorou e não dá sinais de reação, pois é preciso cuidar da saúde e depois da economia. Portanto, o horizonte não é promissor e o meu humor, com certeza, vai piorar. Como Deus não é brasileiro e a racionalidade não é uma de nossas virtudes, vamos esperar que as nossas autoridades se entendam e não agravem ainda mais o nosso incerto futuro. Ressalte-se que quando se é refém de um círculo vicioso somente se tem uma saída: rompê-lo.
P.S – Enquanto isto, o Narciso do Presidente da República desafia senso comum e as recomendações de especialistas, em exposições públicas desnecessárias, elogia o arbítrio, flerta com a morte, lava as mãos e fala mal daqueles que não pensam e nem agem como ele. E o Pais, pobre País, navega à deriva!

Renato Gomes Nery. E-mail – rgnery@terra.com.br

]]>
https://www.renatogomesnery.com.br/2020/05/06/o-circulo-vicioso-2/feed/ 0
CAMINHO DE PEDRAS https://www.renatogomesnery.com.br/2020/04/16/caminho-de-pedras/ https://www.renatogomesnery.com.br/2020/04/16/caminho-de-pedras/#respond Fri, 17 Apr 2020 02:51:00 +0000 https://www.renatogomesnery.com.br/?p=252

Hoje é dia 16 de abril de 2020. Nos jornais noturnos da televisão, aparece o Presidente da República para anunciar a demissão do Ministro da Saúde e apresentar o novo Ministro. A feição do Presidente denota abatimento e cansaço, certamente o peso do cargo está cobrando o preço, ante tantos problemas, agravados por uma pandemia de difícil consenso. A cena é coroada por um terno acanhado, acompanhado de uma camisa com uma das abas em desalinho do simplório mandatário mor. Nem de longe lembra um recente ex-presidente com seus vistosos ternos de grife.

Ao lado do Presidente encontra-se o novo Ministro, cuja indumentária parece ter saído de uma garrafa. Uma fala mansa e pausada parecida com a de seu antecessor. Parece que vai manter tudo que foi feito, com exceção dos velhos que serão submetidos, se necessário, a uma roleta russa.

O vírus corona é uma doença que se evita com confinamento e se cura com cuidados, prevenções, remédios, vacinas e, sobretudo, racionalidade e bom senso. Este é o protocolo observado no mundo inteiro. Tudo o mais é conversa fiada. Entretanto, a fogueira das vaidades faz, como nas lagoas quando chove: todos os sapos dão as caras para coaxar. Vide governadores e outros políticos sedentos de ribalta. Bem como do chefe maior cujo brilho não pode ser empanado por subordinados. Vaidades de vaidades. Tudo é vaidade! Diz o pregador no livro Eclesiastes da Bíblia.

O estrelismo permeia os atos das autoridades que se esquecem que estamos lidando com um inimigo traiçoeiro. Em uma situação parecida (gripe espanhola) ceifou a vida do Presidente eleito Rodrigues Alves e pode não poupar a vida do atual, infenso ao confinamento, flerta com o abismo e se jacta de ter sido atleta. Ninguém está a salvo, pois navegamos no mesmo barco. Lembro de uma estória de um livro que li, mas não me lembro do nome e nem o autor, onde um prefeito de interior que se recusava a combater uma doença coletiva veio a falecer vítima dela.

Antes de qualquer coisa é preciso ter humildade. Esta pandemia é, também, sinônimo de morte. Querer ser maior ou tirar proveito de situações como esta, não contemporiza com a gravidade da situação e é uma manifesta canalhice. Mesmo por que ninguém é maior que ninguém. Somos todos iguais e a morte socializa a vida. Vamos todos para o mesmo local: a cova.

Rios de dinheiro estão sendo colocados nas mãos de prefeitos e governadores. Retiraram-se as amarras que mal continham a gastança e paga-se para ver o que acontecerá num ambiente exacerbado, onde não se fala a mesma língua e nem se tem os mesmos propósitos. Além do mais, prorrogou-se o pagamento de dívidas dos Estados com a União, o que aumenta o fluxo de caixa daqueles. Um cenário perfeito para a nossa velha conhecida: a corrupção crônica que não só não se contagia como dá de dez a zero em qualquer vírus.

É pagar para ver o desenrolar e o fim do espetáculo. Se o vírus vence os políticos ou se estes vencem o vírus! E nós, aprisionados em casa, torcendo para que esta inoportuna pandemia seja logo debelada e não se transforme numa imensa tragédia, tornando mais penoso este nosso caminho de pedras.

Renato Gomes Nery. E-mail – rgnery@terra.com.br

]]>
https://www.renatogomesnery.com.br/2020/04/16/caminho-de-pedras/feed/ 0